Quando chegar o momento, esse meu sofrimento, Você que inventou a tristeza, Bem que eu me lembro da gente sentado ali, Na grama do Aterro, sob o Sol, Observando os hipócritas, Disfarçados, rondando ao redor, Quentar o frio, requentar o pão, E comer com você, Quando o galo insistir, Junto à fogueirinha de papel, Agora eu era o rei, Era o bedel e era também juiz, E pela minha lei, A gente era obrigado a ser feliz, Pois você sumiu no mundo sem me avisar, E agora eu era um louco a perguntar, O que é que a vida vai fazer de mim?, Eu sei a barra de viver, mas, se Deus quiser, Tudo, tudo, tudo vai dar pé, Quando chegar o momento, esse meu sofrimento, Vou cobrar com juros, juro, Todo esse amor reprimido, esse grito contido, Este samba no escuro, Você que inventou a tristeza, Ora, tenha a fineza de desinventar, Você vai pagar e é dobrado, Cada lágrima rolada nesse meu penar, Subiu a construção como se fosse máquina, Ergueu no patamar quatro paredes sólidas, Tijolo com tijolo num desenho mágico, Seus olhos embotados de cimento e lágrima, Sentou pra descansar como se fosse sábado, Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe, Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago, Dançou e gargalhou como se ouvisse música, Como beber dessa bebida amarga, Tragar a dor, engolir a labuta, Mesmo calada a boca, resta o peito, Silêncio na cidade não se escuta, De que me vale ser filho da santa, Melhor seria ser filho da outra, Outra realidade menos morta, Tanta mentira, tanta força bruta, De muito gorda a porca já não anda (cálice), De muito usada a faca já não corta, Como é difícil, pai (pai), abrir a porta (cálice), Essa palavra presa na garganta, Esse pileque homérico no mundo, De que adianta ter boa vontade, Mesmo calado o peito, resta a cuca,

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